
Mais uma vez, meu sono é interrompido pelo som estridente do despertador: 6:00 horas da manhã. Não me recordo a última vez que dormi um sono tranqüilo, sem hora para acordar, sem despertador. Com o corpo cansado de quem dorme pouco há vários dias, levanto. O final de semana, tão esperado por aqueles que trabalham, não me deu nem um alívio; as obrigações não me deixam nem nos dias que deveriam ser de descanso.
Tomo um banho rápido, me falta tempo até para apreciar a água caindo em meu corpo. Escolho uma roupa qualquer, engulo o café da manhã e saio. Correndo. Dois ônibus me esperam. Não posso chegar atrasada, ou pelo menos, não muito atrasada. Chefe não quer saber se você vai de ônibus, se está chovendo ou se não acordou disposto, problema seu.
Enfim, com alguma sorte, sento em um dos ônibus. E passo o trajeto – longo - observando as pessoas, o movimento, à cidade acordando.
No trabalho, são papéis e pilhas e mais pilhas de processo. Desorganização. Cumpro aquilo que me foi determinado e tento – todos os dias – organizar nem que seja um pouco aquela zona, um mínimo de organização facilitaria tanto a minha vida, os meus braços agradeceriam profundamente.
Como eu costumo dizer: o mundo está caindo em água; chuva, muita chuva e justamente na hora de ir embora. Vou para o ponto de ônibus e mordo a língua para não xingar de todos os nomes feios que conheço, os motoristas folgados que não desviam das poças d’água.
Almoço e aí tenho uma meia-horinha de descanso, que eu tenho a impressão que passam
Essa rotina tem me deixado exausta e tirado o meu humor. Tudo isso na incerteza, sem saber se todo esse esforço será recompensando um dia. Bom, são os meus objetivos, então quem tem de lutar por eles, sou eu. Então, que venha suor, lágrimas, noites mal dormidas e ônibus lotados.
Mas, sinto falta de tempo livre. Tempo para ler os livros que comprei, tempo para ouvir as músicas que gosto, tempo de ligar a televisão, ir ao cinema, ficar em casa sem fazer nada, curtir as pessoas que gosto. Um tempo de lazer, de descanso.
Aula à noite, esforço-me para conseguir absorver o conteúdo e vou conciliando outras matérias, lendo os textos que não li.
Mais dois ônibus, chego em casa, já são 23:00 horas. Banho, lanche e mais uns minutinhos de estudo. E finalmente, cama. Apago de exaustão e às 6:00 horas começa tudo outra vez, iniciado pelo barulho irritante do meu despertador.